Jornais engolidos
pela web
O que antes era uma mudança lenta e gradual ganhou
velocidade de um jato. Refiro-me à chamada revolução digital, que mudou os
hábitos dos brasileiros e o conceito da informação. Em apenas cinco anos, os
brasileiros com acesso à internet pularam de 32 milhões para 78 milhões.
Em Pernambuco, como canal de informação a web só perde,
hoje, para a televisão, tendo deixado para trás, bem distante mesmo, o rádio e
os jornais impressos.
Este blog está de posse de uma pesquisa do Instituto
Opinião, de Campina Grande, sobre os hábitos de consumo de mídia no Estado.
Os números impressionam e atestam que os veículos impressos
enfrentam uma grande agonia, num processo de falência que parece irreversível.
A televisão continua sendo o meio de comunicação mais poderoso.
Segundo o levantamento, 70,3% dos entrevistados disseram que
acompanham o noticiário pela TV. Depois da televisão, a internet mostra a sua
face poderosa. Já é em Pernambuco o segundo maior canal de informação para
18,2% da população.
Como mídia, portanto, só está abaixo da TV. O rádio vem em
terceiro lugar com 7,4% e os jornais impressos continuam como fonte de notícias
para apenas 1,9% da população, sobrepondo-se apenas às revistas, com 0,5% das
citações.
O Instituto Opinião ouviu duas mil pessoas em Pernambuco
entre os dias 14, 15, 16 e 17 deste mês em 80 municípios de todas as regiões. A
margem de erro é de apenas 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.
A pesquisa aponta as razões da revolução digital: quase
metade dos entrevistados com grau de instrução superior (44,2%) se informam
pela internet. Neste universo, leitores de jornais, que antes eram
predominantes, hoje são apenas 4,3%.
Entre os jovens na faixa etária de 16 a 24 anos, o avanço da
web como fonte de informação ainda é maior: 37,5% contra apenas 1,7% de jornal
impresso. Entre os leitores com renda acima de 10 salários, 30,9% preferem a
internet contra 7,4% os tradicionais jornais impressos.
Até entre os que têm renda de um salário e grau de instrução
da 5ª a 8ª série, as diferenças são discrepantes – 10,5 contra 0,6%. Se somados
os percentuais dos jovens (37,5%), dos que estão na faixa etária de 25 a 34
anos (23,4%).
E entre os com 35 a 44 anos (17%), os leitores que preferem
se informar pela net em Pernambuco chegam a quase 80%, algo fantástico.
TV AMEAÇADA–
A revista Veja também sai esta semana com números que
apontam a revolução digital: 22,5 milhões de brasileiros assistem a vídeos por
meio da internet mensalmente. Isso equivale a mais que a população de Minas
Gerais ou a metade dos expectadores sintonizados em todas as redes de TV na
noite de domingo das 20 às 22 horas. A TV tradicional não vai desaparecer, mas
a popularização de novas tecnologias transforma os hábitos do espectador.
Mudança radical - No Brasil, 43% das pessoas que veem TV e
navegam na internet ao mesmo tempo 29% fazem comentários durante a exibição dos
programas. Nos Estados Unidos, cinco milhões de residências já dispensam o
aparelho de TV, pois preferem ver a programação em computadores, tabletes e
celulares.
Vídeos no tablet - No Brasil, das pessoas com acesso à
internet 44% veem vídeos no laptop ou no computador; 37% no tablet, que já se
impõe como um companheiro enquanto as pessoas veem TV, e 24% no celular. Tem
mais: 71% cogitam pagar pela assinatura de serviço de TV sob demanda na
internet, enquanto 68% se dizem propensas a pagar por canais de assinatura no
You Tube.
Sertão na Frente - Por região, o Sertão do São Francisco é
que tem o maior percentual de leitores que buscam notícias pela net: 26,3%,
seguida da Região Metropolitana com 19,5% e o Sertão Central, Pajeú e Araripe
com 19%. A Zona da Mata registra a menor taxa, de 14,8%, enquanto o Agreste tem
15,5%. Os números são do Instituto Opinião e integram a pesquisa sobre consumo de mídia.
O furacão da crise -
No rastro das mudanças de hábito impostas pela internet, os
grandes jornais nacionais preparam a travessia para sumir do impresso e
aderirem 100% ado online. O primeiro a tomar essa decisão foi o velho Jornal do
Brasil. Na crise, o grupo Abril está fechando nove revistas, o Estadão está
resumio a três cadernos e a Folha de São Paulo cortou 30% dos seus quadros da
redação.
CURTAS
CANAL PRÓPRIO– De olho nos 23 milhões de brasileiros que têm
costume de ver vídeos na internet, as Organizações Globo inauguraram em 2012,
sem alarme, o próprio portal por assinatura da televisão, o Globo. TV+.
Estamos, portanto, diante de uma transformação só comparável ao impacto das
primeiras transmissões de TV.
PELAS REDES– A força da internet ficou patente, mais uma
vez, como canal mobilizador para grandes eventos. Segundo pesquisa do
Datafolha, 81% dos jovens que se engajaram nas manifestações ocorridas em São
Paulo na semana passada tomaram conhecimento do protesto pelas redes sociais.
Do blog do Magno Martins
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