Vai um vodoo hoje ?
Outro dia li num parachoque de caminhão “o tamanho da sua
inveja é a força da minha vitória”. Me perguntei se isso realmente motivaria
alguém, percebi que sim, muita gente aliás. Um invejoso alimenta o outro.
Percebi que pouco se fala sobre a inveja e vejo que ela está
muito mais presente nas relações humanas do que gostamos de acreditar.
Costuma-se confundir muito a ideia de ciúme e inveja. E isso
se deve talvez porque o ciúme envolve três pessoas, e sente-se ciúme por que
alguém a quem se ama, ou a quem se está ligado, demonstra interesse ou afeição
por outra pessoa. E isso é considerado normal e por isso o ciúme é mais
tolerável e perdoável. Até judicialmente o ciúme tem atenuante nos crimes.
Mas com a inveja o quadro é diferente: ele envolve
basicamente duas pessoas, e inveja-se o que a outra pessoa possui, ou suas
características, capacidades, conquistas, qualidades pessoais.
A inveja envolve uma qualidade espoliadora ou pelo menos
hostilidade para com as boas capacidades da outra pessoa, ainda que isso possa
não ser reconhecido.
Se se destrói por ciúme, aparentemente há uma razão para
tanto.
Mas na inveja a espoliação se faz por ódio, e parece não haver nenhuma
circunstância atenuante.
O conto da raposa e das uvas mostra o invejoso que não
consegue a posse do objeto do outro e destrói com pensamentos, palavras e
ações. O mito de Lúcifer, também.
Num conto de fadas clássico o ponto central da trama envolve
a inveja: Branca de Neve e os sete anões.
A “rainha má” não consegue suportar a beleza, a jovialidade
e a gentileza de sua enteada Branca de Neve. Então a faz ser expulsa de casa e
depois transforma-se numa velha bruxa para enfeitiçá-la com uma maçã
envenenada. É a forma mascarada da pessoa invejosa se aproximar de sua vítima
para destruí-la.
A inveja parece estar ligada à voracidade, mas é diferente
dela.
Na voracidade a pessoa quer obter algo, desconsiderando o
custo para a pessoa de quem ela quer esse algo,
e reconhece que há algo de bom a ser obtido.
Mas a pessoa que é invejosa não está interessada em obter
algo para si própria e usufruir isso, mas sim em tirar algo da outra pessoa,
algo de que ela possa então tomar posse, de forma que se torne parte de si
própria.
A pessoa invejosa é espoliadora. Seja literalmente,
injuriando, danificando ou ferindo outra pessoa ou suas posses. Ou
psicologicamente ferindo os atributos e as conquistas de outra pessoa em sua
própria mente, em seu pensamento, ou externamente, por meio de críticas,
escárnio ou provocação.
Segundo o dicionário Aurélio a inveja é o “desgosto ou pesar
pelo bem ou felicidade de outrem, desejo violento de possuir o bem alheio”
A inveja está entre os sete pecados capitais e é por causa
da inveja ou popularmente “olho gordo” e “mau-olhado” que surgiram os amuletos,
frases, rezas e outros procedimentos mágicos.
18 maneiras de identificar a inveja no dia-a-dia.
1- Sentimento de ressentimento quando alguém está a frente.
2- Quando temos uma espécie de crítica incessante ou
constantes alfinetadas.
3- Quando a pessoa não consegue ver nada a elogiar ou a
valorizar em outro indivíduo, mas só acha dúvidas “bem, estava bom, mas…” e
encontra sempre alguma razão para duvidar da outra pessoa ou derrubá-la.
4- Quando a pessoa não sossega enquanto não consegue algo
que alguém tem, como um bom emprego, carro, cônjuge, etc.
5- Quando a pessoa se incomoda com inteligência tranqüila e
a paz de espírito de outra pessoa e se põe a cutucá-la e a provocá-la até que
ela perca a calma.
6- Incapacidade de reconhecer ajuda e informação ou com
dificuldade em aprender e fazer trabalho grupal.
7- Quando a pessoa não tolera escutar o que a outra pessoa
tem a dizer, e encontra todo tipo de artifício para parar a conversa, tomando
conta do assunto, paralisando-a, porque não consegue tolerar ouvir coisas
divertidas, experiências e pensamentos interessantes que venham de outra
pessoa.
8- Não consegue encarar algo de bom que lhe seja dado por
outra pessoa, pois essa pessoa tem algo antes dele, levando a dificuldade de
sentir gratidão.
9- Dificuldade no relacionamento amoroso e busca de solidão,
pois ninguém é interessante o suficiente.
10- Dificuldade ou bloqueio em sentir prazer físico,
emocional, sexual, intelectual e espiritual e de amar, devido a incapacidade de
estabelecer relacionamentos bons, calorosos e confiáveis.
11- Quando a pessoa tem um excesso de desconfiança dos
outros e não se abre o suficiente para que os outros a conheçam.
12- Quando a pessoa tem um sentimento de prazer, mas em
seguida lhe vem a sensação de que poderia ter mais.
13- Quando o marido ou a esposa expõe seu cônjuge a
situações de humilhação, explorando a masculinidade ou feminilidade.
14- Quando o marido se ressente da relação da mãe com o
bebê, invejando a capacidade da esposa de cuidar, amamentar e criar do filho.
15- Quando a pessoa vive envolvida com fofocas e
desmerecendo as conquistas alheias.
16- Pessoas que vivem praguejando os outros.
17- Ser o desmancha prazeres que conta que vai ter uma festa
surpresa ou aquela pessoa que adora falar verdades na cara dos outros.
18- Quando conquista a pessoa desejada e logo perde o
interesse. Normalmente era a inveja que mobilizava aquele desejo, depois que a
vítima foi “conquistada” já não é mais útil para o invejoso que vai passar a
admirar outro alvo.
6 mecanismos de defesa para fingir que você não tem inveja
Seria desconfortável e perturbador ficar constante ou
freqüentemente ciente de sentimentos invejosos. E a maioria das pessoas busca
manobras e defesas contra a vivência da inveja.
Essas defesas ajudam temporariamente a pessoa a sofrer
menos, mas também podem gerar outros problemas. Há freqüentemente uma mistura
entre a expressão real da inveja e as defesas contra ela.
Nem sempre é possível dizer que se trata de um ataque
invejoso ou uma defesa.
1- Idealizar a pessoa que provoca a inveja de tal forma que
ela é vista como tão linda, especial ou tendo capacidades tão marcantes, que a
distância entre a outra pessoa e si próprio fica tão grande que aparentemente
nenhuma comparação é possível. Isso mantém a pessoa potencialmente invejada num
pedestal e fora do alcance. Na terapia isso pode ficar claro na relação com o
terapeuta.
2- Outra forma é desvalorizar a si mesmo de forma tão
exagerada, numa falsa humildade, colocando-se como tão pobre e limitado,
aumentando assim a distância entre si mesmo e a outra pessoa. Seu discurso soa
masoquista e lisonjeiro. Mas pode deprimir tanto a pessoa ou torná-la
hipócrita, sem valor e sem esperança que ela começa a chafurdar nesse estado,
piorando as coisas. O discurso depressivo ou a raiva crônica pode estar
alicerçado no sentimento de inveja.
3- Aquele aluno que comporta-se na aula como se engolisse a
lição do professor sem acompanhar o que este está realmente querendo dizer,
como se tornasse professor de si mesmo. E assim ele tem a vivência de que nada
é lhe dado de bom e que, portanto seria invejável e assim a inveja é evitada.
Engole antes que lhe seja dado.
4- Tentar provocar, sutilmente ou não, inveja nos outros
fazendo com que os outros se apercebam de suas qualidades ou capacidades
particulares, de modo que lhes provoque inveja. O que redunda num cotidiano
cheio de competitividade, hostilidade e inveja, fazendo a pessoa sentir-se
superior como se tivesse todas as boas qualidades, porém ameaçadas.
5- Restringir contatos, evitar áreas de convivência íntima
que estimulem a rivalidade e inveja, e assim nunca ser realmente desafiado.
Dessa forma impedindo que fosse colocado numa posição inferior ou invejosa ou
necessitada de ajuda dos outros. Dificuldade profissional em passar por
processos seletivos e enfrentar a competitividade. Não ter relacionamentos
íntimos para impedir as comparações.
6- Pessoas mais velhas ou idosas que tem dificuldade de
deixar as próximas gerações terem sucesso, conhecimentos, talentos e um futuro
melhor que a geração mais velha não pôde ter. E com isso viver uma velhice
fechada para os mais jovens, sem revigorar a roda da vida tornando-se ranzinza,
com dificuldades de usufruir o que teve e o que ainda tem.
Superando a inveja
Mas para lidar com a inveja é preciso reconhecer que ela faz
parte de nossas vidas e personalidade em maior ou menor grau.
É preciso que a pessoa tenha suficiente afeto e amor
disponíveis, capacidade de sentir calor humano e gratidão, para poder
contrabalancear sua rivalidade e sua inveja, e ainda assim estar consciente de
sua existência e permitir que os outros seres humanos tenham qualidades
próprias.
Diante da inveja se tem o desejo de descobrí-la, camuflada
em nosso inconsciente, como um espião inimigo, para assim dar-lhe um fim rápido
e definitivo. Tentar extinguir a inveja é inútil e perigoso, pois só faz
estimular seu apetite de desmancha prazeres e ainda a ilusória impressão de
havê-la derrotado de uma vez por todas.
Ajude a pessoa a diluir seu senso de autoimportância e
ajude-a a rir de si mesma.
Deve-se transformá-la em uma energia de conquista e
competição saudável para a realização de ideais com bases éticas na busca do
aprendizado e da autossuperação.
É preciso ajudar o invejoso proporcionando insights das
profundezas reais da inveja e redescobrir e libertar o amor e a gratidão que
foram sufocados, ajudando assim a pessoa a integrá-los. Recomende esse texto!
hahahaha
E isso por si só pode levar a um alívio considerável e
ajudar a afrouxar as garras terríveis dos sentimentos invejosos, levando a um
círculo mais benigno.
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Do site Sobre a vida

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