Em entrevista ao
programa Argumento, da TV Senado, o senador Armando Monteiro diz que as
mobilizações populares pelo País demonstram uma grande demanda de participação
dos cidadãos, que percebe na má qualidade dos serviços públicos a ineficiência
do Estado.
Ao falar da
necessidade de conexão da classe política com os movimentos nas ruas, Armando
destacou a força das redes sociais, que têm potencializado a insatisfação
popular. “O que eu verifico é que há uma grande demanda de participação. Aquela
aparente apatia da população brasileira não refletia verdadeiramente o
sentimento que estava já pulsante na opinião pública brasileira”, afirma
Armando Monteiro.
Assista
a este e outros vídeos de Armando em www.youtube.com/armandomonteironeto
Abaixo, trechos da
entrevista:
Maior
participação da população
Armando Monteiro – “É um momento rico, novo, e nós
temos que extrair desse processo lições e indicações. O que eu verifico é que
há uma grande demanda de participação da população. Aquela aparente apatia da
população brasileira não refletia verdadeiramente o sentimento que estava já
pulsante na opinião pública brasileira. O que houve é que alguns elementos
deflagradores desse processo ocorreram e, com as forças das redes sociais, essa
interatividade permitiu uma expansão em tempo real das manifestações.
Ao meu ver, elas
traduzem uma demanda de participação que se dá fora dos canais convencionais e,
aí sim, temos que entender que a juventude não identifica nas instituições
políticas convencionais esses canais. Os partidos, sindicatos, aqueles que eram
os condutos tradicionais desse processo. Portanto, eles exercitam uma forma
muito mais direta de contato com a classe política”.
Ação
não pode sofrer desprestígio
Armando Monteiro – “É evidente que todo processo que
não tenha uma liderança verticalmente, e que se dá de forma descoordenada,
sempre há o risco de infiltração de elementos que se aproveitam para fazer uma
ação que desprestigia a própria ação. Por isso é que, além da repulsa da
sociedade, eu creio que as pessoas que estão participando de forma legítima tem
que perceber que esses elementos que cometem atos de violência atuam contra o
movimento”.
“A
cidadania percebe o Estado ineficiente”
Armando Monteiro - “A constatação é de que a cidadania
percebe o estado ineficiente. A cidadania não percebe o estado pela voz
necessariamente da classe dirigente, mas pela qualidade dos serviços públicos.
Aí constatamos serviços públicos de péssima qualidade, seja na educação, no transporte,
na saúde”.
O
incentivo ao transporte público
Armando Monteiro – “É impressionante como o Brasil
concedeu incentivos errados. O quanto de desonerações concedemos para
incentivar o transporte individual em detrimento do transporte coletivo público.
Esse continua onerado, porque o diesel e a eletricidade, por exemplo, são itens
fortemente tributados. Portanto, nós definimos incentivos que estavam indo na
direção que não é a correta. Vamos conceder incentivos para que possamos ter
transporte de melhor qualidade e, de alguma maneira, tributar o transporte
individual para que possamos ter programas voltados para o atendimento ao transporte
coletivo no País”.
Brasil
ainda não fez lição de casa
Armando Monteiro – “Há um sentimento de que a economia
brasileira vem novamente experimentando uma situação de baixo crescimento, de
relativa estagnação. Nós que achávamos que o Brasil tinha se reencontrado com a
sua vocação de crescimento, hoje percebemos que não foi bem assim. O Brasil
volta a revelar que é uma economia que não tem propensão a crescer mais porque
o País não fez a lição de casa. Não promovemos as reformas estruturais, não
contribuímos para criar um ambiente de operação às empresas mais saudáveis, os
custos de capital são altos no Brasil, há muita burocracia, o custo logístico e
o sistema tributário são elevados. Então, passada a bonança, o Brasil está
sendo devolvido à sua dura realidade e por isso o Congresso Nacional precisa se
sintonizar com o tempo econômico. O mundo não vai esperar que o Brasil resolva
os seus problemas. Portanto, é preciso retomar uma agenda de reformas e dar a
ela um sentido de urgência que é de extrema importância.
Segundo
semestre no Senado:
Armando Monteiro – “Acho que temos questões importantes
que precisamos olhar com atenção. O Plano Nacional de Educação, por exemplo,
que está em tramitação, é um item importante. Também precisamos definir os
marcos regulatórios, retomar firmemente uma agenda micro econômica que possa
ajudar e destravar o ambiente de operação das empresas, reduzindo a burocracia
e obtendo ganhos com pequenas reformas que podem ser feitas e demandam capital
político menor, entre outros pontos importantes, como o Código Penal”.
Otimismo
com o Brasil:
Acho que já há
percepção convergente sobre os problemas do Brasil. Antigamente, não havia
convergência nem nos diagnósticos. Portanto, sabemos os entraves e o que temos
por fazer. A realidade nos impõe as reformas que não necessárias.
Crédito da foto: Ana Luiza Sousa / divulgação

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