REALIDADE DAS ESTRADAS//NO SERTÃO DO PAJEÚ É CADA VEZ MAIOR O PROBLEMA DAS ESTRADAS

Situação da PE-280, que liga os municípios
de Custódia e Sertânia



O atual estado das rodovias da região do Pajeú é algo deplorável. O abandono é nítido e as consequências são muitas para quem precisa transitar pelas estradas. Aliás, não é de hoje que elas se encontram assim.

Desde o ano 2000 resido na Paraíba. De lá pra cá, nessas minhas idas e vindas para Triunfo, vejo que a situação em nada mudou. Isso mesmo, já se foram 10 anos e não me lembro de uma grande obra de recapeamento, a não ser, claro, o próprio asfaltamento da subida do Brocotó (que por sinal já está se desmanchando). No mais, só algumas operações de tapa buracos, que ano após ano vão formando verdadeiras lombadas na pista.

Buracos (crateras) e falta de acostamento e sinalização são meros exemplos dos problemas encontrados nas rodovias pernambucanas. Prova disso são as fotos que tirei na minha última viagem pela região, cerca de 15 dias atrás, quando trafeguei pelas rodovias PE-280, PE-275, PE-292 e PE-320, além das rodovias federais BR-412, BR-110 e BR-232, estas que por sinal estão em bom estado de conservação.


(Clique na imagem para ampliar)

A CRÍTICA
A minha censura vai para os prefeitos e ex-prefeitos das cidades que formam o Vale do Pajeú, em especial dos municípios de Afogados da Ingazeira, Custódia, São José do Egito, Serra Talhada, Sertânia, Tabira e Triunfo. Os deputados (estadual e federal) também devem ser incluídos, além do governador e seus antecessores.

Ao meu ver, o problema das estradas reflete a falta de articulação política por parte dos prefeitos da região, bem como a visão estreita dos mesmos. Parece-nos óbvio que a junção de lideranças locais facilitaria o desenvolvimento de projetos para os municípios envolvidos, de modo que não somente as rodovias poderiam ser contempladas com obras, mas também outras áreas de relevante interesse social.

Por sinal, os prefeitos não estariam mendigando verbas junto ao governo do Estado, mas tão somente cobrando as parcelas que são devidas aos municípios com relação à participação na divisão das receitas, que por sinal são muitas.

Visitando o site do Detran-PE, fiz o levantamento da frota de veículos da microrregião do Pajeú. Vejamos:

Frota de veículos da microrregião do Pajeú (Outubro/2010)

Cidade – Nº de veículos licenciados
1. Afogados da Ingazeira - 9.927
2. Brejinho - 782
3. Calumbi - 860
4. Carnaíba - 2.440
5. Flores - 2.430
6. Iguaraci - 1.356
7. Ingazeira - 496
8. Itapetim - 1.786
9. Quixaba - 1.116
10. Santa Cruz da Baixa Verde - 2.127
11. São José do Egito - 8.642
12. Serra Talhada - 21.208
13. Solidão - 568
14. Tabira - 6.326
15. Triunfo - 4.326
16. Tuparetama - 1.965

TOTAL: 66.355 veículos

Como se percebe, contamos com uma frota considerável de veículos e que cresce a cada ano, assim como em todo o Estado, (cf.http://www.detran.pe.gov.br/images/stories/estatisticas/HP/1.10_frota_municipio.pdf), tendo o Fisco aumentado consideravelmente sua arrecadação com o licenciamento. Ressalte-se que a legislação prevê a repartição das verbas, de modo que, do total arrecadado, 50% do IPVA são destinados aos cofres estaduais e 50% vão para o município de emplacamento do veículo.

Além do mais, vale lembrar ainda como fonte de receita a famosa CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), tributo incidente sobre a comercialização de combustíveis e que tem percentual repassado aos Estados (Lei No 10.336, de 19 de dezembro de 2001).

Destarte, é inadmissível que tenhamos que conviver diariamente com estradas esburacadas e que põem em risco as nossas vidas. Trata-se até de um problema que transcende as questões de saúde e segurança de quem trafega, mas que pode ser visto mais amplamente, afetando também a renda e o lazer dos cidadãos.

Como se sabe, o transporte rodoviário é a principal forma de circulação no Brasil. Assim, estando as estradas sem condição de tráfego, empresas de transporte de passageiros deixam de atuar ou encarecem as passagens, dificulta-se o turismo e o escoamento da produção, tem-se o encarecimento do frete de cargas, enfim, toda uma cadeia de produção é prejudicada, inviabilizando o desenvolvimento econômico da região e aumentando o custo de vida.

Por certo, o que falta é uma visão mais desenvolvimentista e uma conduta mais atuante das figuras tarimbadas que há muito estão no poder e pouco fazem ou fizeram pelo desenvolvimento dos seus conterrâneos. Não por acaso preferem transferir suas responsabilidades, como no caso relatado na postagem “SESC Triunfo ou Triunfo SESC?”.

Fonte:Jóvens Estudantes Triunfenses (JET)

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