Armando Monteiro foi convidado do Programa Tribuna Popular, comandado por Francys Maya na Rádio A Voz do Sertão. Na entrevista, além da agenda que pretende ter no Senado, Armando falou sobre assuntos como a entrega dos cargos na Prefeitura do Recife; a polêmica da posse dos suplentes de deputado na Assembleia Legislativa; o contato com as bases no interior; e o aumento do salário mínimo. Veja tópicos da entrevista:
Agenda do Senado: “Eu jamais me desvincularei daqueles temas ligados à nossa atuação tradicionalmente, ou seja, a questão do emprego ligada à qualificação profissional, a capacitação das pessoas. Você sabe que não há desenvolvimento verdadeiramente sem a qualificação e a capacitação das pessoas. Porque as pessoas são não apenas destinatárias desse processo de desenvolvimento, mas sobretudo são os artífices desse processo de crescimento. Quem faz o desenvolvimento são as pessoas e elas têm que ter acesso à educação, à qualificação, à educação para o trabalho e, portanto, eu jamais me afastarei dessa bandeira. E é muito importante que eu vejo em boa hora valorizada pelo governador Eduardo Campos, porque o governador acaba de criar uma secretaria que vai se constituir numa plataforma nova para coordenar todas as ações voltadas para a área de qualificação profissional em Pernambuco. É uma secretaria que vai se chamar de Trabalho, Qualificação e Empreendedorismo. Nós temos aí muitas questões que estão colocadas e que devem estar na nossa agenda, no nosso universo de preocupações, na orientação da nossa atuação parlamentar. E temos também outras agendas ligadas à questão do meio ambiente, do desenvolvimento do semi-árido, da ampliação dessa infraestrutura de irrigação que é tão importante para Pernambuco. Em suma, temos uma preocupação muito forte com todos esses temas”.
PEC 300: “Todo mundo sabe que é preciso melhorar as condições de remuneração das forças de segurança no país, mas isso não pode ser feito de uma hora para outra. Você sabe que há um grande desnível nas faixas salariais e uma disparidade de salários em todos os estados da Federação. Há estados menos desenvolvidos que pagam mais; há estados desenvolvidos que têm uma força de segurança maior e, evidentemente, pagam menos. Em suma, essa é uma questão complexa que diz respeito à própria Federação, à autonomia dos estados. Não é possível, de uma hora para outra, corrigir todas essas distorções. E o impacto que isso produziria no orçamento dos estados, nas finanças dos estaduais, de repente, isso desestruturaria as finanças dos Estados. Então, o que eu defendo é uma política que possa ser sustentável, é algo que possa apontar para a correção de uma série de distorções que ainda estão aí presentes, mas sem colocar em risco o equilíbrio dos estados. Porque você há de convir que há outras questões em algumas áreas críticas em termos de políticas públicas que exigem investimentos crescentes dos estados, o desafio da área de saúde, de educação, a segurança pública de uma maneira geral, que envolve a necessidade de equipamentos, a questão dos investimentos em infraestrutura, em infraestrutura urbana, em suma, os estados têm uma série de outras necessidades. Portanto, a PEC 300, embora tenha uma justa motivação, precisa se ajustar às necessidades, às possibilidades fiscais dos estados”.
Salário Mínimo: “Nós todos desejaríamos que pudéssemos pagar um salário mínimo até superior a R$ 580. Eu acho que ninguém no Brasil deixa de desejar que você possa, cada vez mais, oferecer um salário mínimo mais condizente com as necessidades da população. No entanto, quem assume uma postura responsável no trato dessa questão, que não fica fazendo proselitismo e demagogia, sabe que a elevação do salário mínimo causa um impacto muito forte na Previdência pública, porque os benefícios da previdência estão atrelados ao salário mínimo em grande medida. E a Previdência já tem um déficit brutal no Brasil, que esse ano passado alcançou quase R$ 50 bilhões. Por outro lado, há municípios, especialmente no Nordeste, que não têm condições de suportar o pagamento de um salário mínimo maior. Vamos, com realismo, poder pagar os R$ 545, que está dentro dos limites das possibilidades do Governo, sempre lembrando que nos últimos anos o salário mínimo teve um aumento real muito expressivo.”
O mandato no Senado o afastará das bases? “Existe esse risco, realmente. Há senadores que, por conta do mandato ser mais longo, de oito anos, e pelas características da própria eleição de um senador, que é majoritária, muitas vezes ele se distancia das comunidades do interior, perde aquele contato mais estreito, mais próximo, que o deputado federal tem. Mas eu estou absolutamente ciente disso, tenho consciência desse problema, e tenho o compromisso que já assumi muito firmemente de não me afastar, não me distanciar, do interior de Pernambuco. Eu quero estar permanentemente visitando as regiões, todas as microrregiões de Pernambuco, discutindo as agendas regionais, mantendo contato com a população e com as lideranças de municípios. Sobretudo, fazendo uma prestação de contas periódica do nosso trabalho no Senado da República. Então, eu tudo farei para manter estes vínculos, porque isso na realidade foi um elemento fundamental na nossa trajetória e para podermos ter chegado agora no Senado da República”.
O Senado o credencia para disputar o Governo do Estado em 2014? “Eu acho muito cedo para falar sobre 2014, como alguns ainda consideram cedo para falar de 2012. Eu gosto de uma frase de um poeta que diz que os caminhos se fazem ao andar. Nós precisamos caminhar e ter, sobretudo, a responsabilidade de saber que o que nós precisamos é dar respostas aos desafios e às necessidades que temos no presente. Ou seja, qual é agora a minha obrigação? É me desempenhar bem nessa missão que o povo de Pernambuco me confiou, de ser um Senador atuante, atento às demandas, às necessidades do Estado. Essa é a nossa preocupação, esse é o nosso foco. Não estamos com os olhos voltados para esse horizonte, nem sequer de 2012. Vamos caminhar, vamos trabalhar. No futuro, evidentemente, haverão novos desafios, e no seu tempo nós vamos poder avaliar isso”.
Por que o PTB entregou as secretarias na Prefeitura do Recife? “Nós entendemos que o prefeito João da Costa, depois de 101 dias de licença, e considerando que ele não está alcançando índices favoráveis de avaliação da gestão, tudo isso nos apontava - sobretudo pelas declarações que o próprio prefeito havia dado -, que ele precisava promover uma reforma administrativa, já que ele iria inaugurar uma nova e decisiva fase de seu governo. Ou seja, ele precisa apresentar à população resultados no curto prazo. Ele precisa recuperar um pouco esse tempo perdido. O PTB entendeu que, no momento em que o prefeito pretende fazer uma reforma administrativa, nada mais natural do que os partidos que integram hoje a sua administração possam dar a ele a liberdade necessária para que ele promova as escolhas que entender mais adequadas a esse novo momento da sua gestão. A população do Recife precisa ter uma resposta muito efetiva da prefeitura nesse ano."
Avaliação do primeiro mês do Governo Dilma: “A presidente Dilma tem se desempenhado bem, com outro perfil, com outro estilo, naturalmente. O presidente Lula tinha o seu estilo, a presidente tem o seu. Ela tem tido uma posição discreta, mas eficiente no cumprimento de suas obrigações. Há uma expectativa muito positiva sobre seu desempenho. Ela tem revelado equilíbrio e acho que nós vamos ter uma gestão que vai corresponder às expectativas da população”.
Com informações do Blog de Nill Junior
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