O encanto do cordel


A literatura de cordel transcende o tempo.

Chegou até nós trazidos nas caravelas portuguesas quando do descobrimento desta nossa “terra brasilis”, e falava de reis, rainhas, príncipes, dragões e outras coisas mais.

O nome “Literatura de Cordel” advém da sua maneira de ser apresentada: pendurados em cordões, daí o nome “Cordel”.

No sertão nordestino ela propagou-se, encontrou terreno fértil. Uma terra povoada por gente que trazia à flor da pela as tradições, o apego as narrativas passadas de gerações para gerações, um povo místico, cheio de crendices...

... A literatura de cordel explodiu, até transformar-se também no “jornal do matuto”, graças a genialidade dessa gente que improvisa e sabe passar para as letras suas rimas, cantadas nas feiras, contando bravuras, ações e causos que terminaram por fazer a história e as lendas dessa terra.

Apesar de ter suas raízes na Europa, o cordel, ou melhor, a literatura de cordel é quem melhor representa o nordeste brasileiro, assim sendo, parabéns aos organizadores (Fundação Cabras de Lampião) desta feira de cordel que vai acontecer aqui em Serra Talhada nesta sexta-feira dia 25.

Parabéns mesmo.

O assunto merece capítulo especial em nossa história, afinal nas linhas cordelescas está escrita boa parte da história do nordeste.

Foi seguindo o viés do cordel que surgiu o movimento sebastianista da Pedra do Reino, afinal, o mameluco João Antonio trazia nas mãos um cordel, contando a proeza dos “7 pares da França”, e do desaparecimento do rei D.Sebastião de Portugal.

Foi também através do cordel que as feiras do interior sertanejo ficaram sabendo das façanhas de Virgolino Ferreira, o temido Lampião, e foi o cordel que acabou por transformá-lo em ídolo... em lenda.

Parabéns pela feliz idéia pessoal, com certeza, logo logo aparece um cordelista com um folheto em punho contando da bravura e da sabedoria dessa trupe.

E é justo, vocês merecem um cordel.


Tarcísio Rodrigues(jornalista e escritor)

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