Caminhos do sertão


As vezes fico imaginando a odisséia de Agostinho Nunes Magalhães, quando por volta de 1750, partiu de Salvador, na Bahia, em lombo de burros, com uma caravana de milhares de pessoas, sertão a dentro, através de veredas estreitas, até chegar aqui, ao sopé desta nossa Serra Talhada e instalar-se, fundar uma fazenda que depois viria a se transformar na cidade QUE conhecemos hoje.

Eram sem duvidas viagens sofridas.

Mas isso não fora privilégio apenas do nosso fundador, antes deles, outros já cortavam caatingas, florestas, geleiras e etc., dando origens a pequenos caminhos, estreitos, veredas, como costumamos chamar, que os levavam a algum destino, que os integrava a outros povos e outras regiões.

Já os gregos, e mais ainda os romanos atentaram para importância das estradas, a fim de expandirem seus domínios.

Hitler, na consolidação do seu III Reich, também dedicou atenção especial para as estradas, pois era através dela que a potência Alemã expandia suas fronteiras.

No início do século XX, mais precisamente no auge do ciclo do cangaço, um serra-talhadense, Agamenom Magalhães, bradava aos quatro cantos que a melhor maneira de se combater o cangaço era abrindo-se estradas nos sertões nordestino, pois além de facilitar o transporte das forças volantes em automóveis, levava também o progresso, e estava certo Agamenom, tanto que é comum se dizer atualmente que a luz elétrica apagou o Lampião, ou seja, o fim do cangaceirismo, deve-se em parte ao progresso que chegava cada vez mais rápido aos sertões, montados em caminhões e outros veículos que circulavam nas recém abertas estradas de rodagem.

Existem outras estradas atualmente.

Existem os caminhos da internet... da informática. São estradas virtuais que nos levam a outros mundos, que nos interagem e nos dão condições de conhecer outras tecnologias e de apresentar a nossa.

São caminhos virtuais, mas não deixam de ser estradas.

A mesma estrada que o Poeta Marcolino tão bem decantou, “é por mim que se vai tudo “, diz a estrada na poesia de Zé Marcolino, e é verdade.

Nestes novos tempos, o tempo literalmente vale ouro, e cada vez mais precisamos nos locomover com rapidez e segurança.

Infelizmente, nossos governantes estão esquecendo-se de todos estes detalhes, e nossas estradas, principalmente aqui no sertão, estão em estado calamitoso, retornam a suas origens de veredas, e nos faz retornar ao atraso de séculos passados.

Trafegar em estradas como: Serra Talhada/Floresta, Custódia/Sertânia e tantas outras, é quase impossível, a não ser em lombo de burros, enquanto o governo alardeia aos quatro cantos seus investimentos para o desenvolvimento de nossa região. São discursos que ficarão na retórica, pois sem a ação propriamente dita, e sem as estradas transitáveis dignamente, não conseguiremos nunca desenvolver este tão combalido sertão.

Sem falar que o péssimo estado das estradas faz renascer o banditismo, com assaltos de veículos, colocando em risco os bens e a vida de milhares de pessoas.

Foram as estradas que cortam este nosso vasto sertão que nos trouxeram à luz do desenvolvimento, então, precisa-se que alguém acorde os governantes para que voltem suas atenções para este bem tão precioso: estrada, capaz de nos ligar aos grandes centros, capaz de trazer até nós sertanejos o desenvolvimento, e capaz de levar daqui nossa matéria prima, nossa cultura, nossa mão-de-obra.

Estradas de mão dupla, que trazem e levam riqueza, sem falar de que também nos trazem segurança e tranqüilidade.

Tarcísio Rodrigues (jornalista e escritor)

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