15 ambuläncias do governo de Pernambuco para deficientes físicos estão paradas desde o ano passado





Foto:reprodução-Tv Globo

Esta matéria é um absurdo, enquanto tem gente sem condições de se locomover, existem 15 ambulâncias novinhas paradas em um galpão no Recife. Os veículos adaptados serviriam para transportes os deficientes, essa matéria que você vai ler agora e do Pe360graus, vamos coloca-la na íntegra.

Uma lei estadual obriga o Governo a transportar pessoas com alto grau de dificuldade de locomoção, mas, enquanto a medida não sai do papel, mães como Maria Conceição precisam se sacrificar para dar assistência aos filhos doentes.

No Recife, 15 ambulâncias que deveriam transportar deficientes físicos para tratamento médico estão paradas há mais de seis meses (fotos 1 a 3). Uma lei estadual, já em vigor, torna obrigatório que esse serviço seja prestado pelo Governo do Estado, mas, enquanto a medida não sai do papel, mães como Maria Conceição dos Santos (fotos 4 a 6) precisam se sacrificar para garantir assistência aos filhos doentes. Todos os dias, ela sai de casa com o filho de 11 anos no colo. Dinamérico tem paralisia cerebral e precisa ir à fisioterapia. O filho caçula também vai na cadeira de rodas para não ficar sozinho em casa. Eles moram numa comunidade do bairro de Santo Amaro e precisam passam por ruas esburacadas e quebra-molas: um perigo para as crianças. “A cadeira tem um emborrachado muito gasto, não tem mais a direção correta. Quando ela encontra uma pequena barreira, porque não tem acessibilidade, ela inclina para frente e derruba os dois”, diz Conceição. Eles também enfrentam perigo no trânsito. Maria Conceição conta que sofre com o desrespeito dos motoristas: “No tempo chuvoso, isso aqui fica tudo alagado. A maioria dos motoristas não respeita os cadeirantes. Às vezes nem vê que a gente está com cadeirante, aí passa e joga água suja, contaminada... Ele já tem alguns problemas de saúde, aí prejudica mais”, lamenta. Para evitar calçadas esburacadas, Conceição e seus meninos vão pelo asfalto, na contramão de carros e ônibus - e ainda tem que apartar a briga dos filhos. “Quando freia, ele fica agitado, fica nervoso, e acaba agredindo o outro, com pequenos beslicões. O outro tenta revidar... É difícil, né?”, diz. A viagem termina meia hora depois, no Grupo de Assistência e Terapia Infantil. “Hoje eu tenho um problema na coluna, tenho dores musculares nos ombros, nos braços e nas pernas”. Não é por falta de ambulâncias que Conceição e os filhos enfrentam tantas dificuldades. Os veículos para transportar pessoas com necessidades especiais foram comprados no ano passado pelo Governo do Estado, mas nunca foram usados. Eles estão parados há mais de seis meses em um galpão da Polícia Militar, no bairro de Santo Amaro. As ambulâncias deveriam fazer parte do projeto "Pernambuco Conduz", para transportar pacientes até as unidades de saúde especializadas em reabilitação. O projeto, voltado para famílias de baixa renda, virou lei, aprovada em novembro de 2010, pela Assembleia Legislativa, e sancionada pelo governador Eduardo Campos. A lei diz que o Poder Executivo Estadual vai disponibilizar, na Região Metropolitana do Recife, transporte porta a porta e gratuito às pessoas portadoras de deficiência física com alto grau de dificuldade de locomoção. Serão beneficiadas famílias com renda familiar mensal inferior a um salário mínimo. A lei diz, ainda, que a Secretaria de Defesa Social, através do Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco, precisa disponibilizar os veículos necessários, incluindo manutenção e combustível e um bombeiro militar em cada um dos transportes. Alguns soldados do Corpo de Bombeiros denunciam que o serviço não funciona até hoje porque faltam homens para dirigir as ambulâncias. Num concurso que começou há cinco anos, mais de 400 jovens passaram em quase todas as provas e entrevistas, mas, até hoje, eles não sabem se vão ser convocados. “Gastamos com exame de saúde, nos preparamos fisicamente, com academia... Fica toda uma tensão, uma angústia, por não ter uma resposta oficial do Governo. Em janeiro, está lá no site da SDS, falando que ia nos convocar. Pode pesquisar, em qualquer grupamento do Corpo de Bombeiros que você for faltam autobombas, as ambulâncias estão paradas por falta de efetivo”, revela um jovem, que não quis se identificar. Para quem enfrenta buracos e trânsito com pacientes em uma cadeira de rodas, ambulâncias paradas dão motivo de sobra para indignação. “Um absurdo, uma lástima, porque é a necessidade que nós temos há muitos anos. E não ter uma ambulância para nos trazer até aqui é horrível. Um total descaso”, diz Maria Conceição. RESPOSTA DO GOVERNO A Superintendência Estadual de Apoio à Pessoa com Deficiência (Sead) confirmou que 15 ambulâncias foram compradas - um gasto de R$ 2.365 milhões. Eles dizem que o projeto só começa a funcionar no mês de julho, mas com algumas modificações em relação ao que prevê a lei estadual. Por exemplo, o Corpo de Bombeiros não vai mais participar com homens conduzindo as ambulâncias – vão participar apenas fazendo a manutenção da frota. Na semana que vem, será lançado um edital para empresas interessadas em participar da concorrência para fazer o treinamento desse pessoal que vai trabalhar nas ambulâncias. “A atividade da função é atípica, por isso a mudança. Nós iremos contratar pessoas que irão fazer esse serviço”, diz o superintendente João Maurício Rocha (foto 7). Segundo ele, a Sead tem um cadastro de 600 pessoas que serão beneficiadas. “As peculiaridades dessas pessoas foram bastante pensadas, para que nos pudéssemos prestar serviço com dignidade e qualidade”, conta o superintendente. “Estamos fazendo um esforço para que, em julho, a gente comece essas atividades e o sofrimento dessas pessoas diminua”.

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