A força do nordeste


Pela história oficial, as naus portugueses atracaram primeiro aqui no nordeste, pela história oficiosa, antes dos portugueses, outros povos chegaram primeiro nestas terras tupiniguins, mas também, assim como os portugueses, chegaram aqui pelo nordeste.

Fiz esse preâmbulo, apenas para mostrar que esse nosso nordeste sempre esteve muito presente na história desse imenso Brasil.

Um repentista, diante do posicionamento racista, separatista e radical de alguns nossos irmãos do “sul-maravilha”, cantou:

Já que existe no sul este conceito/ que o nordeste é ruim, seco e ingrato/ já que existe a separação de fato/ para que não torná-la de direito...

Era um desabafo a postura de alguns que teimam em nos ver como um estorvo, como um fardo, esquecendo que no início de nossa colonização, foi daqui do nordeste que a metrópole extraiu riquezas, seja através do pau-brasil ou da cana de açúcar.

Esquecem-se que somos auto-suficientes em quase tudo, e que o que nos atrasa é na verdade a falta de investimento do governo federal, investimento em nossas terras e principalmente em nossa gente, essa gente que já deu ao país nomes como Rui Barbosa, José de Alencar, Jorge Amado, José Lins do Rego, José Mauro de Vasconcelos, Solidônio Leite, Agamenom Magalhães, Joaquim Nabuco, Capiba, João Cabral de Melo Neto, Raquel de Queiroz, Graciliano Ramos, Hermílio Borba Filho, Alceu Valença, Ivete, Caetano, Gil, Luiz Gonzaga... e vamos parar por aqui, se não vamos ficar pelo menos dois programas lendo essa lista.

Isso é só uma prova da nossa força.

Um povo mostra seu valor, seu potencial através da sua cultura, assim sendo somos rico... somos bilionários, pois a efervescência cultural do nordeste, notadamente deste nosso Pernambuco, o Leão do Norte, é nossa marca registrada.

Nossos repentistas encantam o mundo com a velocidade do seu raciocínio, e nossos cordelistas, transformaram este estilo em produto nordestino.

Em verdade o cordel é oriundo da Europa, e o nome cordel é uma alusão a forma de como é exposto os livrinhos, em barbantes, em cordão, daí a derivação: cordel, que aportando aqui no Brasil, encontrou terreno fértil na melodiosidade do povo nordestino,e acabou por transformar-se, durante muito tempo no “jornal do matuto”, era através deles, que as notícias eram transmitidas nas feiras do interior.

Quando criança me encantava quando meu pai recitava: Eu vou contar uma história/ De um pavão misterioso/ que levantou Vôo da Grécia/ com um rapaz corajoso..., e por aí ia, contando histórias maravilhosas, histórias encantadas.

Não é a toa que a novela Cordel Encantado está fazendo tanto sucesso.

Tudo que se refere ao nordeste, tudo que se refere as mais profundas raízes do nosso povo acaba por encantar.

Chego a me perguntar: vivemos numa terra encantada?

Parece que sim, pois aqui, até o sofrimento da seca nos dá mote para produzirmos arte e cultura, seja no artesanato, nas telas, na literatura, na música e na poesia.

Me orgulho em ser nordestino, em ser conterrâneo de Zé da Luz, de Pinto do Monteiro, de Dedé Monteiro, de Patativa do Assaré e tantos e tantos outros monstros sagrados.

Assim como Zé da Luz, tenho gosto em dizer: “Meu Barsí brasilêro, sem mistura de istrangêro... um Brasi nacioná”.

É isso aí pessoal.

De norte a sul, somos um povo só, um povo forte, que vem aprendendo dia a dia, a valorizar os seus, e assim, certamente despontar como uma grande nação.

Tarcísio Rodrigues (escritor e jornalista)

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