O escritor pernambucano Raimundo Carrero é o vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura – 2010, com o romance A minha alma é irmã de Deus, escolhido como o “melhor livro do ano”. Vai botar no bolso (já deve ter botado) 200 mil reais. O prêmio, que é patrocinado pelo Governo do Estado de São Paulo, foi anunciado segunda-feira no Museu da Língua Portuguesa. Na mesma solenidade, anunciou-se o vencedor do prêmio do “melhor livro de autor estreante”. É o jornalista Edney Silvestre, repórter da TV-Globo, autor de Se eu fechar os olhos agora. Também ganhou 200 mil reais.
Raimundo Carrero tem 63 anos de idade, nasceu em Salgueiro, sertão de Pernambuco, onde a estrada se bifurca, subindo no rumo da Chapada do Araripe, divisa com Ceará e Piauí, e o outro braço descendo em direção a Petrolina, às margens do São Francisco, olhando para Juazeiro do outro lado do rio. É o segundo escritor sertanejo a ganhar o Prêmio São Paulo. O primeiro foi o cearense-pernambucano Raimundo Correia de Brito, premiado ano passado com o romance Galiléia.
Viva o Nordeste e viva o Sertão!
Antes de descobrir a literatura (o seu romance de estreia é A história de Bernarda Soledade: a tigre do Sertão, de 1975, com prefácio de Ariano Suassuna), foi músico, aprendendo a arte na Banda Filarmônica de Salgueiro, onde tocava requinta (tinha 10 anos de idade). Depois passou para o saxofone. Aí já integrava uma banda de rock. E foi como saxofonista que Raimundo Carrero conheceu Natal. Tocou, segundo ele mesmo me contou, na inauguração da Boite Bambelô, do Hotel dos Reis Magos, meados dos anos 60.
Aqui e acolá, quando dá na veneta e é convidado, Raimundo Carrero escapole do Recife e dá uma esticada por estas bandas. A última vez foi ano passado, na Festa Literária de Pipa, onde fez palestra, autografou livros e instalou a a Oficina Literária, criação sua que já vai passando dos 15 anos de atividades permanentes, não somente no Recife, mas também por estes festivais literários espalhados pelo país para onde sempre está indo. Dessas suas atividades de oficineiro, ensinando a arte de escrever e despertando a vocação para a literatura, Raimundo Carrero escreveu e publicou um livro: Os segredos da ficção: a arte de escrever, editado pela Agir em 2005.
Raimundo Carrero participou da criação do Movimento do Armorial, liderado por Ariano Suassuna, Recife no começo dos anos 70. Ariano lhe apontaria os primeiros caminhos na literatura (seu livro Os segredos da ficção é dedicado ao criador do Romance d’A Pedra do Reino: “Para Ariano Suassuna, que me ensinou os primeiros segredos”). Na mesma época já tinha uma convivência literária com Hermilo Borba Filho, romancista, contista e dramaturgo, outra figura maior da nossa Literatura, que certamente lhe mostrou como usar os temperos certos. Neste mesmo Os segredos da ficção ele presta também uma homenagem a Hermilo e a outro mestre pernambucano, Osmans Lins.
Carrero também é jornalista (fez jornal, rádio e televisão), tendo trabalhado por mais de vinte anos no Diário de Pernambuco. É da Academia Pernambucana de Letras e presidiu a Fundação do Patrimônio Artístico e Histórico de Pernambuco (Fundarpe). É detentor de vários prêmios literários, entre eles o Prêmio Machado de Assis da Biblioteca Nacional, em 1955, com o romance Somos pedras que se consomem e o Prêmio Jabuti (Câmara Brasileira do Livro), de 2000, com o romance As sombras ruínas da alma.
Concorriam, com Raimundo Carrero, o Prêmio São Paulo de Literatura os escritores João Ubaldo Ribeiro (O albatroz azul), Chico Buarque (Leite Derramado). Luiz Ruffato (Estive em Lisboa e lembrei de você), Paulo Rodrigues (As vozes do sótão), Reinaldo Moraes (Pornopopéia). Ricardo Lísias (O livro dos mandarins). Rodrigo Lacerda (Outra vida) e o angolano Ondjaki.
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