Progresso Nuclear é o tema de estreia do escritor e jornalista Tarcísio Rodrigues


E AGORA, COMO FICA O TÃO SONHADO

PROGRESSO NUCLEAR?

Nos anos setenta o país viveu momentos conturbados na discussão para instalação das usinas nucleares Angra 1 e 2, no Rio de Janeiro. Alguns, como hoje, apontavam para os riscos, outros enfatizavam o rico potencial para produção de energia do país como: hidrelétricas, ou mesmo energia eólica e solar, assim, se fazia desnecessário o risco de usinas nucleares.

É uma discussão interessante e controversa.

Na época, nos anos setenta o país sentia a necessidade de entrar para o seleto clube dos paises que dominam a tecnologia nuclear, necessidade que persiste até hoje.

Assim, diante disso, o regime militar, ignorou toda polêmica e instalou as usinas de Angra.

Um projeto ousado, arrojado, que devido os tropeços econômicos do país acabou por ficar paralisado durante décadas.

Agora, vivendo um novo tempo, tempo de novo rico, e diante da necessidade premente da produção de energia, o governo federal volta seus olhos para o velho projeto dos militares, e começam a projetar a instalação de Usinas Nucleares, e uma aqui bem pertinho de nós, em Itacuruba a apenas 126 quilômetros de nossa Serra Talhada.

Até pouco dia atrás estava todo mundo eufórico: mais postos de trabalhos, mais desenvolvimento, e mais royalteis para o pequeno município sertanejo.

Royalteis, é preciso que se explique, é um pagamento, uma forma de compensação pelo uso do município.

E eis que estoura a bomba, ou melhor, uma catástrofe apocalíptica no Japão que resultou na explosão de uma usina nuclear gerando uma das mais temidas catástrofes imaginada pelo homem: o desastre nuclear.

Radiações mortíferas espalham-se pelo Japão causando terror, medo e desespero para toda população, e deixando o mundo apreensivo, e reticente diante da tecnologia da energia nuclear.

Tudo isso nos atingiu de cheio.

A euforia transformou-se em pesadelos. Os ativistas da não proliferação de tecnologias nucleares ganharam força, e os defensores da instalação da usina em nossa Itacuruba encolheram-se.

E agora?

O certo, é que a energia nuclear é segura, e relativamente barata. O que aconteceu no Japão aconteceu devido a um desastre natural, não fosse isso, estariam todos ainda na euforia e nem discutiriam o assunto, mas tudo isso serve também para se voltar o olhar para outras fontes de energia. Continuamos sendo um país com condições de gerar energia de diversas formas, entre elas, energia eólica, solar e de hidrelétricas. Por isso, e somente por isso acho que deva ser reanalizado o projeto nuclear, e não pela questão de segurança.

No mundo todo se explora esse tipo de energia, mas nos outros países não existem outra alternativa, aqui, temos outras saídas, assim sendo, vamos evitar a produção de lixo radioativo, vamos explorar meios mais limpos de gerar energia.

Se temos condição, por que não fazer?

Já provamos que dominamos a tecnologia nuclear, não precisamos mostrar mais nada a ninguém, a não ser que por trás dessas usinas que querem instalar existam interesses escusos... se não for isso, não há vejo nenhuma necessidade.

TARCISIO RODRIGUES

Escritor e Jornalista.

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