O Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado de
Pernambuco (Sindjud-PE) vem a público expressar seu descontentamento e
preocupação em relação à crise de desempenho do Tribunal de Justiça do Estado
de Pernambuco (TJPE), conforme dados apresentados pelo Conselho Nacional de
Justiça (CNJ). O Sindjud-PE consigna total apoio à recente mobilização
principiada pela Associação dos Magistrados de Pernambuco (Amepe), que também
conta com a Associação do Ministério Público de Pernambuco (AMPPE) e com a Ordem
dos Advogados do Brasil seccional Pernambuco (OAB-PE). Os números apontam
elevadas taxas de congestionamento no âmbito do Poder Judiciário Estadual de
Pernambuco, com destaque para a indigesta cifra de penúltimo lugar entre os
tribunais de médio porte do País.
Destacamos a importância do relatório "Justiça em
Números 2013", apresentado pelo CNJ, visto que consiste em um verdadeiro
diagnóstico da realidade do Poder Judiciário no Brasil, contribuindo desde 2003
com a identificação dos problemas, o estimulo ao debate e a busca de soluções
para a superação dos gargalos que afetam a qualidade dos serviços de Justiça,
inclusive no Estado de Pernambuco.
A direção do Sindjud-PE vem alertando já há algum tempo
sobre o anacronismo do sistema de Justiça no Brasil e, em particular, no Estado
de Pernambuco, conduzido por uma tradição de administração judiciária
conservadora, burocrática e pouco eficiente. Por outro lado, apontamos o
contingenciamento dos recursos do TJPE (duodécimo) pelo Governo do Estado de
Pernambuco, prejudicando sobremaneira os investimentos na prestação da Justiça.
Ademais, o tribunal não se impõe e se sujeita a critérios estabelecidos pelo
Executivo e, reiteradamente, amarga o repasse de quantia inferior ao que
efetivamente teria direito.
Em 2011 fomos submetidos ao 19º lugar no ranking dos estados
da federação no tocante à despesa total da Justiça em relação ao Produto
Interno Bruto (PIB) e 26º lugar se consideramos a despesa total da Justiça em
relação ao total da despesa pública de Pernambuco. Em 2012, o TJPE ficou em 2º
lugar na Taxa de Congestionamento (TC) com 82,64%, perdendo apenas para Roraima
- 1º lugar com 83,10%. Apenas como exemplo, Jaboatão dos Guararapes, na Região
Metropolitana do Recife, alcançou em 2012 o nefasto quantitativo de 8.500
processos de crimes dolosos contra a vida (homicídios), sem sentença de
pronúncia. Em todo o Estado de Pernambuco, 2/3 dos presos estão aguardando
julgamento pelo Tribunal do Juri, em flagrante desrespeito aos direitos e
garantias fundamentais.
Por outro lado, ressaltamos o empenho e a dedicação dos
cerca de 6.000 servidores e 440 magistrados do TJPE, no sentido de buscar
superar as dificuldades impostas pela realidade atual, comprometendo, não raras
vezes, a saúde e a própria vida para dar conta de uma carga de trabalho
excessiva, especialmente após a ampliação do horário de atendimento ao público
e da imposição de uma série de metas arrojadas, mesmo sem o necessário
reconhecimento por parte da Administração do TJPE. A carreira do servidor é desestimulante,
as distorções de cargos são injustificadas, as condições de trabalho não são
favoráveis e a concorrência avassaladora.
Desde 2007 mais de 1.800 servidores do TJPE pediram
exoneração - a maioria esmagadora saiu para assumir cargos públicos em outros
órgãos da esfera federal, estadual e até municipal, que ofertam melhor
remuneração e mais perspectivas na carreira. Ressaltamos que o problema da
evasão e da rotatividade de servidores, alimenta a alcunha de "casa de
passagem" e comprometem a qualidade do serviço prestado aos usuários em
geral.
De fato, a população pernambucana não passa ilesa nesse
processo. À medida que a regra passa ser mais processos e menos recursos, a
qualidade dos serviços fica deveras comprometida. Como o Judiciário pernambucano
dará conta de mais de 2 milhões e 90 mil processos, acrescido dos 550 mil novos
casos por ano, sem um investimento à altura? Como tornar efetiva a garantia de
direitos fundamentais, a solução dos litígios e a pacificação social em
Pernambuco, com uma estrutura extremamente deficiente?
Sendo assim, velamos pela independência do Poder Judiciário
de Pernambuco; repudiamos toda e qualquer prática que importe enfraquecimento
da autonomia da Justiça, especialmente financeira e administrativa; denunciamos
a redução do repasse do duodécimo pelo Executivo estadual; cobramos a tomada de
posição por parte da Direção do tribunal em relação à adoção de medidas
jurídicas necessária à transferência do valor integral a que faz jus o TJPE;
pugnamos que os valores repassados ao Tribunal sejam aplicados com
racionalidade e eficiência, remunerando dignamente os que servem à Justiça;
propomos mais planejamento, revisão dos métodos, atualização dos procedimentos,
fomento à capacitação, estimulo à inovação e a busca incessante por qualidade
no trabalho da Justiça; propugnamos pelo incentivo a outras formas integradas e
complementares de solução dos litígios, especialmente a conciliação, a mediação
e a arbitragem; buscamos, finalmente, a ampliação e a melhoria dos serviços prestados
à população, de sorte que a paz seja promovida e os direitos fundamentais dos
cidadãos pernambucanos garantidos com celeridade.
Recife/PE, 19 de novembro de 2013.
Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado de
Pernambuco (Sindjud-PE).
Andréa Almeida | Imprensa
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