Embora a taxa de aprovação aos protestos de rua em São Paulo
continue alta, a parcela dos paulistanos que afirma ser contra as manifestações
quase triplicou no intervalo de dez semanas.
Pesquisa Datafolha realizada quarta-feira mostra que 21% da
população da capital desaprova os protestos.
Num levantamento similar em 27 e 28 de junho, logo após o
auge das grandes passeatas, os que declaravam contrariedade somavam 8%.
A pesquisa atual também mostra um grande sentimento de
antipatia pelo uso de máscaras por parte dos manifestantes. Entre os
paulistanos, 89% são contra o uso da peça e 9% são a favor.
No sentido inverso, a aprovação aos protestos caiu 15 pontos
percentuais. Antes, 89% afirmavam ser a favor dos atos. Agora são 74%.
O índice de opiniões favoráveis é maior entre os homens (77%
a 70%); atinge seu pico entre os mais jovens (84% no grupo dos que têm 16 a 24
anos); e cresce conforme aumenta a renda e a escolaridade dos entrevistados.
Há pelo menos três grandes diferenças visíveis entre as
manifestações de agora e as do mês de junho.
A primeira está no tamanho dos protestos. Três meses atrás,
as passeatas ocorriam em mais cidades e eram quase sempre maiores, muitas vezes
com a adesão de milhares de pessoas.
A segunda diferença está na motivação dos atos. Por terem
sido atendidas, algumas das reivindicações objetivas de junho desapareceram.
Exemplos disso são os pedidos de redução de tarifas do
transporte, pleito aceito por vários prefeitos, e a rejeição à PEC 37, proposta
de emenda constitucional para tirar poder de investigação do Ministério Público
que acabou derrotada no Congresso.
A terceira diferença está na violência dos manifestantes.
Conforme os adeptos da tática "black bloc" foram assumindo a
hegemonia na liderança dos protestos, as manifestações pacíficas foram ficando
cada vez mais raras.
Apesar disso, não é possível dizer que o aumento da rejeição
aos protestos esteja associado à sua violência.
Na pesquisa de quarta, o Datafolha voltou a perguntar sobre o
comportamento de manifestantes e policiais. Para 78%, os manifestantes estão
sendo mais violentos do que deveriam, índice idêntico ao apurado numa pesquisa
feita em 13 de junho.
O que pode ter aumentado, na opinião dos entrevistados, foi a
violência policial. Antes, 40% achavam que os policiais eram mais violentos do
que deveriam. Agora, 45% pensam assim. O uso de armas com balas de borracha
pela polícia também é reprovado pelos paulistanos: 59% são contra, 38% são a
favor.
O Datafolha ouviu 832 pessoas. A margem de erro é de três
pontos para mais ou para menos. (RICARDO MENDONÇA)
Matéria completa na Folha de São Paulo
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