Precisamos começar as mudanças


Está sendo amplamente divulgado um discurso de uma professora numa audiência pública da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte. Discurso não, um desabafo, ou um tapa na cara dos políticos, dos administradores públicos.

O desabafo da nobre professora reflete não apenas a realidade da situação calamitosa da educação no seu estado, é um retrato fiel do desastre que são as políticas em educação em todo país.

Não é a toa que cada vez mais nos distanciamos dos países desenvolvidos.

O governo, na ânsia de apresentar números, desenvolve programas que nos envergonham, apenas para estatisticamente mostrar índices de alfabetização.

Saber ler e desenhar o nome não é sinônimo de alfabetização, é na verdade uma máquina para angariar votos, pois quem ler um texto e não o compreende, não é alfabetizado, e torna-se presa fácil desse monte de abutres que rondam em busca do voto dos menos esclarecidos para se elegerem, para se perpetuarem no poder e poderem continuar legislando para si próprios.

Falo tudo isso porque dia a dia estamos mais próximos de um período eleitoral, e precisamos ter consciência, precisamos votar sabiamente, escolher pessoas que estejam de fato comprometidas com o bem coletivo.

Taí no que deu eleger com uma maioria tão esmagadora nosso Governador.

Alguém sabe me dizer o que este jovem senhor fez até agora?

E fez sim: politicagem em seu favor, com único intento de se firmar no cenário político nacional, para alçar vôos mais ousados.

Com a margem de votos que ele foi eleito, acha-se possuidor de um cheque em branco, assinado por nós, pobres eleitores. Estar a vontade para fazer o que bem quer e entende, sem nos dar satisfações, afinal, sequer existe uma oposição séria, abalizada contra seus desmandos.

Na imprensa, o governo alardeia que os índices de criminalidade e violência baixaram.

Onde?

Sabemos que é balela, continuamos aqui, reféns dos marginais e a polícia, desarticulada, carente de homens e equipamentos nada pode fazer.

Também alardeia que a saúde está ótima.

Onde? – Pergunto de novo.

Precise de um serviço médico público e terão a resposta, Nossa saúde está na UTI, se ultimando.

A educação...

É brincadeira. Professores mal remunerados, escolas mal equipadas e sem segurança, a mercê da própria sorte, formando... formando não, jogando nas ruas alunos que não sabem nada, aprovados apenas porque é do interesse do governo que o índice de aprovação seja alto... Fica bem na fita.

E nós calados. Apáticos, aceitando tudo, tal qual boi que vai para o matadouro, sem esboçar nenhuma reação.

Até quando vamos ficar assim?

Um dia o governador resolve fazer uma visita ao nosso município e todo mundo se ajoelha, bate continência, faz reverência, não se escuta uma voz dissonante, não se escuta nenhuma voz que aponte o descaso, a hipocrisia, a falta de políticas públicas em favor do povo.

É lamentável falar de tudo isso.

Queria estar aqui enaltecendo os feitos positivos, as estradas em bom estado, a saúde de nossa gente, a educação capaz de formar mentes brilhantes, o colocar das cadeiras nas calçadas sem medo dos marginais...

... Queria muito isso, mas infelizmente não é possível, no entanto é possível começarmos a mudar todo este quadro, nas urnas, nas eleições, basta que votemos conscientemente, sem pedir nada em troca, a não ser ações públicas em favor de todos e não de grupos, aí sim, poderemos mudar todo este cenário.

Tarcísio Rodrigues (escritor e jornalista)

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