The
New York Times No último final de semana, eu estava assistindo à TV com alguns
amigos, explorando os mais populares no YouTube recentemente, quando um vídeo
chamado "I Forgot My Phone" ("esqueci meu celular") chamou
a minha atenção.
No
momento em que fui apertar play, contudo, meu amigo avisou: "Não veja
isso. Vi ontem e é realmente triste."
O
vídeo de dois minutos (abaixo), que já foi visualizado mais de 15 milhões de
vezes, começa com um casal na cama. A mulher, representada pela comediante e
atriz Charlene deGuzman, olha fixamente para o nada silenciosamente enquanto
seu namorado checa seu smartphone.
As
cenas subsequentes retratam um dia de deGuzman que é desolador: as pessoas a
ignoram enquanto fitam o smartphone durante o almoço, um show, enquanto jogam
boliche e durante uma festa de aniversário. (Até o menino aniversariante está
gravando a festa em seu telefone). O clipe termina com deGuzman de volta à cama
com seu namorado no final do dia --e ele ainda está usando seu telefone.
Assistir
ao vídeo de deGuzman é desconfortável. É um golpe direto na nossa cultura
obcecada com smartphones, cutucando-nos sobre nosso vício naquela pequena tela
e sugerindo que talvez a vida possa ser mais bem direcionada quando é vivida
--em vez de visualizada.
Apesar
de ter algumas cenas engraçadas --um homem fazendo um pedido de casamento na
praia enquanto tenta gravar o momento especial em seu telefone--, ele é
majoritariamente triste.
"A
ideia me ocorreu quando comecei a refletir sobre quão ridículos estamos todos
sendo, eu incluída, quando estava em um show e as pessoas a meu redor estavam
filmando a apresentação com seus telefones, e não, de fato, assistindo",
disse deGuzman em entrevista.
"Deixa-me
triste o fato de que há momentos em nossas vidas durante os quais não estamos
presentes porque estamos olhando para um telefone", disse deGuzman, também
responsável pelo roteiro da peça, dirigida por Miles Crawford. Ela reflete que,
deseje-se ou não, experimentar a vida por meio de uma tela de quatro polegadas
pode ser a nova norma.
Ou
não. O vídeo de deGuzman pode ter aterrissado em um daqueles momentos culturais
em que as pessoas começam a questionar se algo já foi longe demais e começam a
fazer algo em relação a isso.
Na
semana passada, o festival de música polonês Unsound proibiu os espectadores de
gravar os evento, dizendo que não desejava "documentação instantânea"
e distrações que pudessem prejudicar as apresentações.
Em
abril, durante um show em Nova York, Karen O, vocalista líder do grupo Yeah
Yeah Yeahs, disse à plateia para guardar seus smartphones (usando um palavrão
para enfatizar a mensagem).
Um
bom número de restaurantes nova-iorquinos, incluindo Momofuku Ko e Chef's
Table, proibiu clientes de fotografar seus pratos. (Nota aos 'foodies': sua
quinoa não precisa ser postada artisticamente e com um visual retrô no
Instagram.) E, é claro, muitas mães e pais que lutaram para manter a TV longe
da cozinha pode ver os smartphones como a nova ameaça à civilidade à hora do
jantar.
No
final dos anos 50, os televisores começaram a deixar a sala de estar rumo à
cozinha, frequentemente levada até a sala de jantar para se unir à família para
a ceia. E, então, a TV na mesa de jantar repentinamente se tornou falta de
modos. A TV voltou à sala de estar.
Veja
matéria completa de Nick Bilton do “New York Times” no site da Folha.UOL
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